A repercussão de uma matéria publicada ontem pelo blog do Isaías Rocha, revelando que a Câmara de São José de Ribamar estaria inerte diante da perda de território, causou forte alvoroço nos bastidores da politica ribamarense. Muitos imaginaram que a crítica era dirigida à gestão da presidente Francimar Jacintho (PL). Contudo, o texto tinha endereço certo: o grupo liderado pelo vereador Kantão (Agir), apelidado de Kamikaze. Explico a seguir.
Os distraídos
Enquanto se distraíam com os bastidores da eleição para a Mesa Diretora, o vereador Kantão e seus aliados na Câmara ignoraram a investida de Fred Campos (PSB). O prefeito de Paço do Lumiar acionou o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) para derrubar duas leis de 2017 (nº 10.649 e nº 10.650) que atualizaram as divisas de São José de Ribamar com São Luís e Paço do Lumiar.
Na ação que será julgada hoje pela Corte de Justiça, o mandatário do município luminense alega a inconstitucionalidade das leis, sustentando que as alterações foram realizadas sem a assinatura de um plebiscito, conforme preveem o artigo 10 da Constituição Estadual e o artigo 18, parágrafo 4º, da Constituição Federal.
Sem duas vagas
A disputa judicial envolvendo limites territoriais pode encolher a população de São José de Ribamar em quase metade e reduzir o número de vereadores no parlamento. Analistas alertam que o julgamento afeta mais de 35 bairros. Se a mudança for aprovada, a cidade passará de 260.695 habitantes (dados do IBGE) para apenas 140.695 moradores, resultando na perda imediata de duas vagas no legislativo municipal.
Postura kamikaze
Exatamente por isso, ao apoiar Kantão — que planeja comandar a Câmara ribamarense no biênio 2027/2028 e supostamente conta com o apoio do prefeito luminense, autor da ação e aliado de Fik Fik —, o grupo liderado pelo vereador do Agir assume uma postura kamikaze, pavimentando o próprio suicídio político.
Origem da palavra
O nome faz referência a uma estratégia de guerra do Japão, em que o piloto do avião se matava durante o ataque. A palavra kamikaze, de origem japonesa, é a junção dos termos ‘divino’ (kami) e ‘vento’ (kaze). Durante a 2ª Guerra Mundial, kamikaze era o nome dado aos pilotos que se jogavam, com o avião, contra um alvo militar. Historiadores explicam que essa foi a resposta do país asiático para enfrentar as aeronaves dos Estados Unidos, que tinha maior poder de combate.
Novos desafios
Ou seja, para enfrentar uma disputa interna do legislativo ribamarense, o grupo de Kantão decidiu se afastar da base do Dr. Julinho e decidiu se aliar justamente a um dos políticos que busca na Justiça a redução do território ribamarense — medida que diminuirá a população local e, consequentemente, reduzirá o número de cadeiras que os ‘kamikazes’ disputarão em 2028.
Reeleição em risco
O grupo que diz ‘não se vender’ enxerga a ‘articulação’ como estratégia, mas isso é, na verdade, um ‘suicídio político’. Na legislatura de 2021 a 2024, eu já tinha ‘cantado a bola’ sobre quem ficaria pelo caminho. Na época, os ‘sobreviventes’ foram os que tiveram a sensatez de voltar para a base a tempo de se salvar. Para 2028, contudo, o cenário pode ser ainda pior: muitos chegarão sem estrutura, politicamente desgastados e correndo o risco de disputar apenas 19 cadeiras, em vez das atuais 21.
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