O canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), superou 7 milhões de seguidores no WhatsApp na manhã desta quarta-feira (21). O espaço é usado para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa do 2º turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro.

O crescimento se dá na reta final da campanha presidencial. Em apenas uma semana, o canal ganhou 2,8 milhões de novos inscritos, saltando de 4,2 milhões no dia 13 de outubro para 7 milhões nesta quarta-feira (21). A arrancada representa uma alta expressiva de 66,67%.

Janones utiliza o canal para divulgar mensagens, áudios e as chamadas “missões”, nas quais orienta os seguidores a compartilhar publicações, comentar conteúdos e promover hashtags nas redes sociais. A estratégia adota linguagem militar, com expressões como “tropa” e “avante”.

Em áudio enviado aos seguidores, o deputado pediu dedicação à campanha: “A única missão agora é bater os 7 milhões o mais rápido possível! Quanto mais cedo isso acontecer mais provas eu poderei apresentar pra vocês de que Lula está reeleito!”.

1,4 milhão de inscritos em 24 horas

Na noite de ontem, o espaço tinha 5,6 milhões de inscritos. Contudo, o parlamentar convocou os seguidores a aumentar esse número, informando que o canal seria fechado e só reaberto ao meio-dia de hoje, se atingisse os 7 milhões. Essa meta foi alcançada às 9h30 de hoje. Em menos de 24 horas, houve um acréscimo de 1,4 milhão de novos inscritos, representando um aumento de 25%.

“Esse canal está fechado até alcançar 7 milhões de inscritos! Até lá, não serão enviadas notícias, links, missões ou orientações. Por isso, saia daqui e vá em busca de novos membros!”, frisou o deputado.

As convocações também viraram memes nas redes sociais. A linguagem usada por Janones passou a ser reproduzida em publicações de humor

O deputado ganhou projeção nacional durante a greve dos caminhoneiros em 2018 e ampliou sua presença nas redes sociais ao defender o auxílio emergencial de R$ 600 em 2020. Na campanha presidencial de 2022, integrou a estratégia de comunicação digital de Lula.

Disputa no TSE

O canal foi alvo de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a campanha. No dia 11 de outubro, o presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do espaço depois de um pedido da campanha de Flávio.

A equipe do candidato do PL alegou que o canal disseminava informações falsas, incluindo mensagens sobre uma possível redução de aposentadorias e a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida caso ele fosse eleito.

A decisão foi revertida no mesmo dia pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar a suspensão naquele momento.

No dia 13 de outubro, Nunes Marques voltou a determinar a suspensão do canal e estabeleceu condições para sua reativação. Posteriormente, reviu a medida ao verificar que a campanha de Lula havia informado o endereço do espaço à Justiça Eleitoral.

No dia 15 deste mês, o TSE aprovou uma resolução que eliminou o prazo de 48 horas para o uso de canais oficiais de campanha registrados entre o 1º e o 2º turno. A medida permite a utilização imediata desses espaços depois da aprovação pela Justiça Eleitoral.

No dia seguinte, a Corte aprovou novas regras para identificar canais de mensagens vinculados a campanhas eleitorais. A resolução estabelece 6 critérios, entre eles o uso de recursos eleitorais, a divulgação do endereço do canal em perfis oficiais e a coordenação de publicações com candidatos. Basta a comprovação de um dos critérios para caracterizar o vínculo, desde que haja elemento objetivamente verificável.

Os canais considerados vinculados a campanhas devem ser comunicados à Justiça Eleitoral. O descumprimento reiterado das regras pode resultar na suspensão do espaço.

A coligação de Lula pediu ao TSE que o canal Exército do Lula não seja considerado vinculado oficialmente à campanha, com base na resolução aprovada em 16 de outubro. O pedido foi apresentado depois das decisões que restringiram o funcionamento do grupo.

Janones nega divulgar informações falsas no canal. O deputado afirma que a estratégia busca ampliar o engajamento dos apoiadores e a circulação de conteúdos favoráveis à reeleição de Lula.

Nota: Matéria publicada às 22:15 desta terça-feira, 20, e atualizada às 9h8 para acrescentar informações.

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