
O combate a privilégios demonstra que virou um discurso ocasional. A cada eleição o assunto reaparece na imprensa. O tema, que une políticos de esquerda e direita no país, ressurgiu, evidenciando mais uma vez que é utilizado não como posição, mas como estratégia eleitoral.
Na última quarta-feira, 15, o debate reapareceu novamente agora como proposta de campanha defendida por Genival Alves (Avante), ex-vereador de São Luís, que pretende concorrer ao Senado pelo Maranhão em outubro, apesar de seu principal objetivo ser a Câmara Federal, reiterando a tentativa de 2018.
Em sua participação na terceira edição do UdesCast, podcast conduzido pelo produtor Udes Filho e gravado no Home Studio, Alves fez várias críticas aos “benefícios” oferecidos aos integrantes do Legislativo. No bate-papo, ele também defendeu o fim das emendas parlamentares: “Não elegemos um senador para que ele administre os recursos públicos”, frisou.
Embora o ex-vereador esteja correto ao enfatizar o combate aos privilégios que desvirtuam a atividade política e custam caro aos brasileiros, esse discurso já não convence mais os eleitores e, provavelmente por isso, gera menos engajamento a cada pleito eleitoral.
Em meio ao debate, surge uma pergunta: quantas propostas para eliminar privilégios foram apresentadas ou aprovadas pelo entrevistado durante seu mandato na Câmara de São Luís, que poderiam reforçar seu argumento? A resposta a essa questão é essencial para evidenciar na prática algo que vai além do discurso.
Ao que parece, a sociedade finalmente chegou a um consenso: é mesmo necessário combater os privilégios. A conclusão é óbvia: o Brasil é o país das regalias.
Somos uma das poucas nações no mundo que concede benesses aos seus governantes, como verbas para viagens e compras de roupas, palácios, motoristas, secretárias, telefone com conta liberada, passagens aéreas ilimitadas, um séquito de assessores, dispensa de filas, refeições gratuitas, regras especiais de aposentadoria, impunidade e tratamento de saúde gratuito.
No país, falamos muito sobre corrupção, mas pouco sobre privilégios. O problema é que nunca haverá uma solução para a corrupção enquanto os privilégios não forem combatidos.
Em uma República, privilégio não é direito. É distorção. E para enfrentar isso, é preciso ir além da narrativa que surge a cada ano de eleição. Precisamos de mais prática e ação do que de palavras e discursos.
Leia mais notícias em isaiasrocha.com.br e nos sigam nas redes sociais: Facebook, Twitter, Telegram e Tiktok. Leitores também podem colaborar enviando sugestões, denúncias, criticas ou elogios por telefone/whatsapp (98) 9 9139-4147 ou pelo e-mail isaiasrocha21@gmail.com