A presidente da comissão provisória do PT no Maranhão, Patrícia Carlos, declarou em entrevista à Rádio Educadora FM (88.3MHz) na noite desta quinta-feira (17) que a postura ‘neutra’ só funciona no 1º turno. A declaração ocorreu durante um bate-papo veiculado no programa Ordem do Dia, comandado pelos comunicadores Isaías Rocha e Thales Castro.

Na ocasião, Patrícia comentava a posição adotada pelo ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), na disputa pelo Governo do Maranhão. Segundo ela, essa postura não é viável em um cenário de segundo turno por causa da polarização nacional.

“Eu acho que o Braide está morrendo de medo do segundo turno, consciente do impacto significativo do lulismo no Maranhão. Ele sabe que essa escolha de ficar neutro numa polarização só funciona apenas no primeiro turno, pois no segundo turno, Lula virá, obviamente, que virá. Lula é o maior cabo eleitoral do Maranhão”, declarou.

Escolhendo um dos lados

Durante a entrevista, a convidada também criticou políticos e candidatos que adotam uma postura de ‘neutralidade’. Parafraseando uma famosa citação de Desmond Tutu, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1984, ela afirmou que, ao permanecer neutro em momentos de polarização, na verdade, a pessoa acaba escolhendo o lado do opressor. Se você fica neutro na polarização, você escolhe o lado do opressor. Neutro é shampoo de bebê“, completou.

Explicando o ódio ao PT

Em sua participação, a dirigente petista também foi provocada a comentar uma entrevista do diretor da Quaest, Feilipe Nunes, na qual afirmou que o ódio ao PT não é por nenhum erro de Lula ou de Dilma, mas pelos acertos em 20 anos tirando o pobre da miséria.  “O antipetismo se dá pelos nossos acertos. Acredito que os equívocos do partido são menores que nossos acertos”, disse.

Posição da sigla no 2º turno

Patrícia Carlos, segunda suplente na chapa da senadora Eliziane Gama (PT), que é candidata à reeleição, concluiu o bate-papo respondendo um questionamento sobre a postura do partido em um eventual segundo turno no Maranhão. Ela afirmou que, caso Felipe Camarão não prossiga, o apoio será destinado a Orleans, conforme definido pela tática nacional da legenda.

“Se Felipe Camarão não avançar para o segundo turno, naturalmente apoiaremos quem endossou Lula no primeiro turno, sem qualquer dúvida. Se Orleans for o candidato a competir contra Braide no segundo turno, nosso apoio será para Orleans“, concluiu.

Assista à íntegra da entrevista:

Quem é a ela?

Assistente social formada pelo Prouni, Patrícia Carlos de Sousa Macieira, tem 36 anos, é casada, e mãe de Benício. A convidada é especialista em Gestão Estratégica em Políticas Públicas pela Unicamp e mestre em Ciência Política pela UniRio, com pesquisa foca na participação feminina na política. Filiada ao PT desde os 18 anos, já foi dirigente municipal na cidade de Lago da Pedra.

Em sua trajetória no PT estadual, ocupou as Secretarias de Organização e Comunicação, além de ter sido dirigente nacional. Entre 2015 e 2022, atuou como assessora parlamentar, sendo também Subsecretária de Estado do Trabalho e Economia Solidária.

Atou como coordenadora do Comitê Executivo Estadual de Educação do Campo do Maranhão e foi a primeira mulher a liderar o partido no estado. Nas eleições deste ano, ela é segunda suplente na chapa da senadora Eliziane Gama (PT), que é candidata à reeleição.

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