O canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), superou 6,3 milhões de seguidores no WhatsApp na noite desta terça-feira (20). O espaço é usado para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa do 2º turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro.
O crescimento se dá na reta final da campanha presidencial. Em apenas uma semana, o canal ganhou 2,1 milhões de novos inscritos, saltando de 4,2 milhões no dia 13 de outubro para 6,3 milhões nesta terça-feira (20). A arrancada representa uma alta expressiva de 50%.
Janones utiliza o canal para divulgar mensagens, áudios e as chamadas “missões”, nas quais orienta os seguidores a compartilhar publicações, comentar conteúdos e promover hashtags nas redes sociais. A estratégia adota linguagem militar, com expressões como “tropa” e “avante”.
Em áudio enviado aos seguidores na noite de hoje, o deputado pediu dedicação à campanha: “A única missão agora é bater os 7 milhões o mais rápido possível! Quanto mais cedo isso acontecer mais provas eu poderei apresentar pra vocês de que Lula está reeleito!”.
As convocações também viraram memes nas redes sociais. A linguagem usada por Janones passou a ser reproduzida em publicações de humor
O deputado ganhou projeção nacional durante a greve dos caminhoneiros em 2018 e ampliou sua presença nas redes sociais ao defender o auxílio emergencial de R$ 600 em 2020. Na campanha presidencial de 2022, integrou a estratégia de comunicação digital de Lula.
Disputa no TSE
O canal foi alvo de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a campanha. No dia 11 de outubro, o presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do espaço depois de um pedido da campanha de Flávio.
A equipe do candidato do PL alegou que o canal disseminava informações falsas, incluindo mensagens sobre uma possível redução de aposentadorias e a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida caso ele fosse eleito.
A decisão foi revertida no mesmo dia pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar a suspensão naquele momento.
No dia 13 de outubro, Nunes Marques voltou a determinar a suspensão do canal e estabeleceu condições para sua reativação. Posteriormente, reviu a medida ao verificar que a campanha de Lula havia informado o endereço do espaço à Justiça Eleitoral.
No dia 15 deste mês, o TSE aprovou uma resolução que eliminou o prazo de 48 horas para o uso de canais oficiais de campanha registrados entre o 1º e o 2º turno. A medida permite a utilização imediata desses espaços depois da aprovação pela Justiça Eleitoral.
No dia seguinte, a Corte aprovou novas regras para identificar canais de mensagens vinculados a campanhas eleitorais. A resolução estabelece 6 critérios, entre eles o uso de recursos eleitorais, a divulgação do endereço do canal em perfis oficiais e a coordenação de publicações com candidatos. Basta a comprovação de um dos critérios para caracterizar o vínculo, desde que haja elemento objetivamente verificável.
Os canais considerados vinculados a campanhas devem ser comunicados à Justiça Eleitoral. O descumprimento reiterado das regras pode resultar na suspensão do espaço.
A coligação de Lula pediu ao TSE que o canal Exército do Lula não seja considerado vinculado oficialmente à campanha, com base na resolução aprovada em 16 de outubro. O pedido foi apresentado depois das decisões que restringiram o funcionamento do grupo.
Janones nega divulgar informações falsas no canal. O deputado afirma que a estratégia busca ampliar o engajamento dos apoiadores e a circulação de conteúdos favoráveis à reeleição de Lula.
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