Jerder Pereira da Cruz morreu em 27 de outubro de 2024. O caso passou pela atuação de magistrados, promotores de Justiça e da delegada Maria Eunice Ferreira Rubem. Apesar dos avanços periciais e das providências policiais, a responsabilização criminal permanece indefinida.

No último dia 27 de outubro, completaram-se dois anos da morte de Jerder Pereira da Cruz, vítima de uma agressão coletiva em Paço do Lumiar. Desde aquela noite de 2024, a família atravessa uma espera que parece não ter fim. A dor da perda ganhou a companhia da incerteza, enquanto a investigação percorreu diferentes etapas da Polícia Civil, do Ministério Público e do Poder Judiciário sem alcançar, até agora, uma definição judicial sobre os responsáveis. Dois anos depois, o que deveria ser uma lembrança preservada pelo luto continua sendo uma história marcada por perguntas sem respostas.

A investigação conduzida pela Polícia Civil, com atuação da delegada Maria Eunice Ferreira Rubem, reuniu depoimentos, registros audiovisuais e exames periciais. O relatório policial produzido em setembro de 2025 chegou a apontar suspeitos e formalizar indiciamentos. Contudo, a identificação de possíveis envolvidos na fase policial não se traduziu, até o momento documentado, em responsabilização criminal definitiva. Os laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal demonstraram a violência sofrida por Jerder, cuja morte decorreu de traumatismo cranioencefálico provocado por ação contundente. A discussão, portanto, deixou de estar concentrada na natureza violenta da morte e passou a exigir esclarecimentos sobre a participação individual dos envolvidos.

Ao longo da tramitação, o procedimento contou com a atuação de magistrados como João Pereira Neto e Ana Gabriela Costa Everton, além de manifestações ministeriais em diferentes fases, entre elas as da promotora Marinete Ferreira Silva Avelar. Mais recentemente, a promotora de Justiça Nahyma Ribeiro Abas examinou os elementos disponíveis e considerou indispensável o aprofundamento das investigações. Em agosto de 2026, o juiz Frederico Feitosa de Oliveira acolheu o requerimento ministerial, afastou o arquivamento naquela etapa e determinou o retorno dos autos à autoridade policial por 90 dias. A decisão reconheceu a materialidade da morte violenta, mas ressaltou que ainda faltavam elementos suficientes para a formação de uma acusação criminal.

A manifestação do Ministério Público também chamou atenção para divergências entre informações registradas no atendimento hospitalar e as conclusões da perícia. Por essa razão, foram requisitadas novas diligências, incluindo esclarecimentos testemunhais e a análise de possíveis registros complementares. Em 29 de outubro de 2026, apenas dois dias após o segundo aniversário da morte, uma certidão judicial registrou o recebimento de material eletrônico pela Vara Criminal de Paço do Lumiar. O documento não apresenta conclusão sobre seu conteúdo, mas acrescenta uma nova movimentação a um procedimento cuja duração já ultrapassa dois anos.

Enquanto as instituições cumprem suas atribuições, a família de Jerder convive com as consequências de uma perda que não encontrou resposta definitiva na Justiça. O sofrimento não se mede apenas pelo tempo transcorrido, mas também pela dificuldade de reconstruir a rotina diante de tantas incertezas. O luto, atravessado pela ausência de uma conclusão criminal, mantém viva a necessidade de esclarecimento. Não se trata de antecipar condenações ou atribuir culpa sem o devido processo legal, mas de reconhecer que a passagem do tempo torna ainda mais necessária uma investigação diligente e conclusiva.

A atuação da delegada Maria Eunice Ferreira Rubem, as manifestações das promotoras Marinete Ferreira Silva Avelar e Nahyma Ribeiro Abas e os pronunciamentos judiciais ao longo do procedimento revelam uma investigação que mobilizou diferentes autoridades. Resta saber em que medida as diligências determinadas produzirão elementos suficientes para uma definição do Ministério Público. Para a família, porém, a contagem é outra: são 27 de outubro de 2024 e 27 de outubro de 2026 separados por dois anos de ausência, sofrimento e espera. A morte de Jerder está comprovada. A responsabilização por ela continua sendo a resposta que falta.

Leia mais notícias em isaiasrocha.com.br e nos sigam nas redes sociais: Facebook, Twitter, Telegram e Tiktok. Leitores também podem colaborar enviando sugestões, denúncias, criticas ou elogios por telefone/whatsapp (98) 9 9139-4147 ou pelo e-mail isaiasrocha21@gmail.com