A Expresso Rei de França, integrante do Consórcio Via SL, está sob investigação por supostas anomalias financeiras. Os relatórios em posse dos órgãos de controle indicam possíveis irregularidades financeiras, como pagamentos de aluguel e cartão de crédito, realizadas na mesma data em que a empresa recebeu fundos de subsídios públicos.

Os documentos indicam ainda que Willame Alves dos Santos, que consta como beneficiário do Bolsa Família até janeiro deste ano, é o administrador registrado da empresa na Receita Federal.

Ele teria recebido todas as cotas da empresa, avaliadas em R$ 3 milhões, de Débora Piorski Ferreira, ex-proprietária do negócio. Débora é filha de Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, apontado como o verdadeiro dono por um gerente da própria empresa.

Pedro Paulo também ocupa cargo de direção na Unamgem, uma empresa de extração mineral avaliada em R$ 136 milhões, e é sócio-administrador da Goldcoltan Minerais Limitada, que atua no mesmo setor.

Ele está envolvido em um processo de recuperação judicial desde novembro do ano passado, período em que teve início uma crise no transporte público de São Luís, com envolvimento do consórcio Via SL, onde estão incluídas as empresas Expresso Rei de França e Grapiúna.

Justiça ordena pagamento ao trabalhadores

A relação entre os envolvidos será investigada pela polícia, já que a suposta existência de sócio oculto pode configurar crime. Na noite de sexta-feira (10), a Justiça do Maranhão ordenou que a empresa realize o pagamento direto dos salários de 110 trabalhadores que ainda não receberam os valores referentes a janeiro de 2026.

Além disso, a decisão foi assinada pelo juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos da Ilha, também determinou a abertura de inquérito policial para apurar as possíveis irregularidades. A medida também restringe o uso de recursos do sistema de transporte, proibindo que valores de passagens, vale-transporte e passe escolar sejam usados para quitar dívidas bancárias.

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