O jornalismo tem um compromisso simples e desafiador: informar a sociedade com responsabilidade, rigor, verdade e buscando sempre o equilíbrio. Sob todas às pressões, conforme destacou a jornalista Angélica Nunes, que escreve a coluna Conversa Política no Jornal da Paraíba, em parceria com o colega Laerte Cerqueira.

Na opinião da comunicadora, o jornalismo deve atuar como mediador entre os fatos e o público, filtrando, enquadrando, e expondo interesses particulares para priorizar aquilo que afeta a vida coletiva.

Por isso, segundo ela, sua função não é agradar governos, partidos ou grupos políticos, mas servir ao interesse público. Porque todos passam e o jornalismo fica.

E servir ao público exige, principalmente nesse ecossistema de muita informação, equilíbrio, proporcionalidade e transparência, bases que sustentam a credibilidade e a utilidade social da notícia.

Todas esses predicados devem ser expostos. Sem medo, quando não se está disposto a passar por cima deles.

É desse ponto de vista que soa preocupante a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou busca e apreensão na residência do comunicador Luís Pablo Conceição Almeida, em São Luís.

A medida transmitiu a ideia de que profissional da comunicação maranhense se posicionou na matéria jornalistica, adotando uma posição no estado onde o ministro Flávio Dino foi governador, sugerindo que há quem apoie e quem se oponha, como se o magistrado ainda estivesse integrando um dos lados políticos que hoje polarizam em sua terra Natal.

Com todo respeito. Essa leitura é distorcida.

A independência no jornalismo não deve ser interpretada como uma forma de ocultar preferências. De enganar as pessoas. Nesta atividade, existe apenas um lado: o do bem público.

Jornalismo investigativo não é stalking. É a atividade que busca revelar a verdade sobre fatos ilegais, corrupção ou questões complexas que impactam a sociedade. O stalking, por sua vez, é uma conduta obsessiva, indesejada e que viola a privacidade de um indivíduo por motivos pessoais.

Portanto, o jornalismo investigativo é um pilar da democracia e da transparência, enquanto o stalking é uma violação de direitos, sendo práticas opostas em intenção e execução.

No âmbito do jornalismo, equilíbrio não é omissão ou distorção: é método, princípio, é busca permanente. Não tem a ver com esconder posicionamento ou perseguir, mas rejeitar o papel de instrumento político declarado.

Segundo ela, um jornalista que questiona, que confronta, que apura, que evita personalização de obras e ações, assume um posicionamento claro: o de proteger o direito do cidadão à informação confiável, descontaminada.

É claro que como ser social, todos os jornalistas possuem afinidades, gostos, preferências, conceitos e pré-conceitos. Por isso, a luta centenária pelo equilíbrio é fundamental.

Faz parte da atividade do jornalismo, desde a sua consolidação como produto mercadológico, criar imunidade contra pressões políticas, econômicas e do mercado. É complexo, mas sobreviveu e sobrevive quem consegue vencer essas batalhas em nome de uma escolha: o interesse público. Repito: único lado.

A decisão de Moraes transmitiu a impressão de que o STF deseja uma imprensa subserviente e reverente, que confunda jornalismo com assessoria de comunicação, e que trate autoridades como clientes a serem satisfeitos, não como agentes públicos a serem fiscalizados. Mas é exatamente por isso que o equilíbrio, mesmo com eventuais equívocos e divergências, é tão fundamental.

O equilíbrio impede que a notícia seja construída por interesses de ocasião. Vale ressaltar que não estamos falando aqui dos textos e colunas de opinião. Nesse caso, o subjetivo é o pilar: opinar, imprimir o que se pensa, claramente.

Cidadão no centro

O equilíbrio declarado coloca o cidadão no centro da cobertura. As escolhas declaradas ou omissas, não. Porque há ferramentas balizadoras. O jornalismo que se submete a partidos/políticos perde sua função social; o que se submete a governos perde sua liberdade.

Defender o equilíbrio, portanto, é tomar posição, mas não por um lado da disputa política. É tomar posição pela sociedade, pelo direito fundamental à informação. E é essa posição que garante que a imprensa não seja serva de ninguém, exceto do público que tem o dever de ajudar no entendimento do mundo.

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