
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou buscas e apreensões pessoais, veiculares e domiciliares contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão e ex-deputado estadual. Ele é alvo de um inquérito que investiga suspeitas de obstrução de justiça relacionadas a supostas gravações realizadas pelo empresário César Cutrim, proprietário do jornal Itaqui-Bacanga, na casa do ex-secretário. César é pai de Gilbson Cutrim, responsável pelo assassinato do Tech Office.
Segundo as informações, o mandado nº 4384/2026 foi assinado nessa sexta-feira, 17/7, no âmbito da Petição (Pet) 15437 e atende a pedido da Polícia Federal (PF), com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). Até o momento da publicação desta matéria, a defesa de Cutrim ainda não havia se manifestado.
Entenda o caso
O episódio do Tech Office, que resultou na condenação de Gilbson César Soares Cutrim Júnior pelo assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira Oliveira, voltou ao centro da disputa política e institucional do Maranhão, em fevereiro deste ano, após uma sequência de movimentações entre 2025 e 2026.
O conflito chegou ao STF após uma investigação iniciada de ofício pelo ministro Flávio Dino, sem a participação da PGR, conforme apontado pelo advogado Nabor Bulhões.
Dados cruzados
O início da investigação, originada pelo homicídio, permitiu que o ministro maranhense assumisse a responsabilidade de investigar um governador e seus familiares, que não possuíam foro no Supremo Tribunal Federal. O caso estava em tramitando no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, ao assumir a relatoria por prevenção, Dino decidiu avocar provas do inquérito do INSS envolvendo o senador Weverton Rocha (PDT).
Titular do inquérito sobre o Tech Office, Dino atendeu a um pedido da PF e solicitou a André Mendonça os dados do celular do senador Weverton Rocha, apreendidos no caso do INSS, no âmbito do caso que apura um homicídio no Maranhão por “desacerto no pagamento de propina”.
Dino cita indícios de ‘obstrução de justiça’ contra Weverton no pedido. O homicídio aconteceu em 2022, e a investigação cita o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), Daniel Itapary Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão.
Pet 15437
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