
O Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério Público Estadual (MPMA) podem investigar a destinação de mais de R$ 15 milhões que seriam usados na educação de Vargem Grande, no interior do Estado. É que parte deste dinheiro teria ido parar em contas de parentes do ex-prefeito Carlinhos Barros e do secretário de Educação do município, Nonato Costa.
Com pouco mais de 43 mil habitantes, a cidade vargem-grandense ainda enfrenta graves problemas no setor que contrariam o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Além disso, os alunos da rede municipal de ensino sofrem com a falta de manutenção nas escolas, sendo que onze delas, todas localizadas na zona rural, possuem estrutura de taipa.
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Apesar disso, um levantamento do blog do Isaías Rocha revelou que, de janeiro a dezembro de 2025, a cidade recebeu mais de R$ 186,4 milhões do Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que é utilizado para financiar a educação básica no país.

A reportagem obteve extratos bancários apontando que, ao final do exercício financeiro, houve um saldo remanescente de pouco mais de R$ 33 milhões. Contudo, parte desse montante foi parar em contas de pessoas sem vínculo com a educação ou profissionais que não estavam em efetivo exercício de suas funções.
Entre os beneficiários dos mais de R$ 15 milhões destinados ao pagamento da aplicação dos recursos está o secretário Luzilvan Monteiro, titular da Secretaria Cultura e Turismo (SECULT) de Vargem Grande, que recebeu pouco mais de R$ 8,1 mil de abono.
Luzivan seria professor, mas não estaria lecionando. Em 2024, ele foi reeleito pelo PMB para o terceiro mandato consecutivo com 735 votos, mas pediu licença do mandato após ser nomeado como titular da SECULT, conforme portaria publicada no Diário Oficial do Município (DOM) em fevereiro do ano passado.

Questionamentos
O blog enviou na manhã desta quinta-feira, 7, seis perguntas para o secretário Luzilvan Monteiro com questionamentos sobre o assunto:.
1. Como o senhor conseguiu conciliar as funções de vereador, secretário e professor durante o ano de 2025? As funções têm horários compatíveis?
2. Conforme a Lei 14.276/2021, todos os profissionais em efetivo exercício de suas funções nas redes de ensino estão contemplados na parcela mínima de 70% destinada ao pagamento de salários. O senhor se encaixa nesse perfil?
3. O senhor está em pleno exercício das atividades docentes? Se a resposta for sim, em qual escola da rede municipal você atuou nos últimos doze meses?
4. Além do senhor, mais algum membro da sua família recebeu a bonificação?
5. Os pagamentos realizados ao senhor estão em conformidade com a lei que estabelece critérios e a obrigatoriedade do mínimo 70% dos recursos para a valorização dos profissionais da educação, incluindo a distribuição das sobras quando esse percentual não é alcançado?
6. As denúncias indicam que parte dos R$ 15 milhões, que estariam entre os R$ 33 milhões em sobras destinadas à educação, pode ter sido desviada durante o período em que o Gaeco desmantelou um esquema que resultou na prisão do prefeito, vice-prefeito e de toda a Câmara dos Vereadores em Turilândia. Não teme que uma investigação parecida em Vargem Grande, com base nas mesmas acusações?

Não respondeu
Apesar de ter sido procurado oficialmente para oferecer a sua versão dos fatos, o secretário de Cultura não respondeu às solicitações do blog. O espaço segue aberto para atualizações.
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