Documentos obtidos pela jornalista Camila Bomfim, da GloboNews, indicam que o procurador do município de São Luís, Daniel Leite, teria sido utilizado em uma complexa rede financeira para viabilizar a compra pulverizada de ações do Banco de Brasília (BRB), em operações atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo a apuração, publicada nesta sexta-feira (6), fundos e pessoas ligadas a Vorcaro adquiriram cerca de 12% das ações do BRB por meio de transações consideradas atípicas e de difícil rastreamento, o que levou a Polícia Federal a abrir inquérito para investigar suspeitas de gestão fraudulenta e possíveis operações circulares.
A mesma estratégia teria sido utilizada em outras transações envolvendo o advogado de Vorcaro, Daniel Monteiro, e fundos como Delta, Borneo, Celeno e Albali, além da empresa Titan, compondo uma engrenagem financeira destinada a ocultar a real titularidade das ações e dificultar o rastreio dos recursos utilizados.
As operações foram comunicadas ao Banco Central em abril de 2025, um mês após o anúncio da intenção do BRB de adquirir 58% do Banco Master, o que reforçou as suspeitas da PF sobre uma tentativa de Vorcaro manter influência no banco comprador, mesmo após a venda de sua instituição.
Além de procurador do Município de São Luís, Daniel Leite é professor universitário e sócio em um escritório de advocacia que leva seu nome na capital maranhense. Ele também foi membro titular do TRE-MA na categoria Jurista, destinada exclusivamente a advogadas. Além disso, ocupou os cargos de chefe da assessoria especial da PGM, presidente da Comissão Central de Licitação de São Luís e diretor-geral do TJMA.
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