“Se eu me calasse, meu filho seria enterrado vivo”, diz mãe de Lucas Porto

O inédito caso envolvendo duas famílias no Maranhão teve um impacto significativo na história da investigação forense  — uma marcada por uma tragédia irreversível e outra, por uma alegada injustiça — teve como personagens principais Mariana Costa e Lucas Porto. A primeira foi assassinada em seu apartamento e o segundo foi condenado, acusado do crime, apesar de afirmar ser inocente.

O crime ocorreu em São Luís em dezembro de 2016 e causou grande comoção pública, principalmente por causa do vínculo familiar da vítima com o ex-presidente José Sarney. Em 2021, o acusado foi condenado a 34 anos e 8 meses de prisão, inicialmente em regime fechado.

Neste domingo, 14 de dezembro de 2025, data em que Lucas completa 46 anos, dos quais nove em custódia estatal, sua mãe, Heliene Porto, concedeu uma entrevista ao portal O Quarto Poder. Na ocasião, ela declarou que o processo que levou à condenação de seu filho no caso Mariana Costa contém falhas.

Heliene revelou, na conversa com o jornalista Udes Filho, que a condenação dele encerrou o julgamento formal, mas não o debate em torno do processo. Ela aponta falhas na investigação, inconsistências periciais e violações de garantias legais — argumentos que, até aqui, não alteraram o resultado judicial.

A entrevistada é graduada em Engenharia de Pesca pela Universidade Federal do Ceará e tem 40 anos de experiência como docente e pesquisadora na Universidade Federal do Maranhão. Contudo, concluiu também a graduação em Direito em 2016, ano em que seu filho foi preso.

Apesar de ter construído sua carreira longe do sistema penal, Heliene Porto tenta provar a inocência de Lucas. Para isso, ela decidiu concluir o curso de direito, estudou o processo e descobriu fatos que geram dúvidas ao caso.

Amor de mãe “não altera Laudo”

Na versão apresentada pela polícia, Lucas admitiu a prática do delito. No entanto, a família contesta as alegações, afirmando que ele foi torturado desde o primeiro dia, sugerindo que os maus-tratos levaram à sua “confissão”.

Ao ser indagada se sua tese de defesa era “apenas amor de mãe”, ela afirmou que amor de mãe ‘não altera Laudo’, ‘não fabrica inconsistência’ e ‘não demonstra falhas processuais’.

“Amor de mãe ‘não altera Laudo’, ‘não fabrica inconsistência’, ‘não demonstra falhas processuais’. O que sustenta minha convicção é a leitura minuciosa de cada página, pericial, técnica, policial, jurídica. E não foi somente eu, quem viu. Muita gente também já viu, mas preferiram, ainda nada fazer”, frisou.

Uso da web para provar inocência do filho

Durante o bate-papo, Heliene Porto também revelou que vem utilizando uma página no Instagram e um canal no Youtube para publicar evidências de que o crime pode ter cometido por outra pessoa. Segundo ela, o objetivo é apresentar uma versão dos fatos que não é abordada pela imprensa maranhense.

“Tudo que publicamos é inteiramente do processo que meu filho “tenta responder”, e isto incomoda à todos, que devem ser incomodados. Se não divulgam, é porque o silêncio protege alguém, e não é o meu filho”, completou.

Clique aqui para ler a entrevista

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