Estatístico supervisiona pesquisa da Atlas/Intel sem registro secundário no conselho da categoria que abrange o Nordeste

Uma pesquisa eleitoral registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número MA-09846/2026, realizada pelo instituto AtlasIntel, passou a chamar atenção de analistas políticos e especialistas em estatística eleitoral no Maranhão.

Bancado com recursos próprios e atendendo formalmente às exigências legais estabelecidas pela Justiça Eleitoral, o levantamento tem um aspecto em particular que chamou atenção: a irregularidade no registro do profissional responsável pela supervisão do estudo.

O blog do Isaías Rocha verificou que o estatístico Andrei Camilo dos Santos, com registro principal no Conre-2, que abrange o Rio de Janeiro, estaria exercendo suas atividades de maneira irregular fora da área de sua jurisdição.

Embora seja responsável pelo registro da pesquisa AtlasIntel em território maranhense, ele não possui um registro secundário no Conre-5, que abrange os estados do Nordeste, incluindo o Maranhão, o que torna inviável a sua atuação em atividades estatísticas na região.

Apesar de possuir cadastro primário no Conre-2 e registros secundários ativos nos conselhos das regiões 3, 6 e 7, a legislação exige que o profissional mantenha um cadastro secundário na região onde atua. Sem essa autorização, a atuação fora da área de origem não atende às exigências legais para pesquisas eleitorais.

Mesmo sem registro no Conre-5, ele aparece como responsável técnico por levantamentos realizados em diferentes estados nordestinos. Além do Maranhão, há registros de pesquisas no Piauí e Ceará, sob sua supervisão.

Dados disponíveis no site do conselho da categoria indicam que apenas doze profissionais estão com cadastro diferente do seu registro principal. No entanto, conforme demonstrado no documento em anexo, Andrei Camilo dos Santos não está incluído nessa lista.

Mesmo sem registro no Conre-5, Andrei Camilo dos Santos supervisionou levantamentos em três estados do Nordeste este ano.

A legislação prevê que a atuação sem o devido registro pode caracterizar exercício irregular da profissão, sujeito a sanções e multas. Além disso, a falta de regularidade do estatístico responsável é um dos pontos que podem levar à impugnação da pesquisa na Justiça Eleitoral, como já ocorreu em várias decisões publicadas neste ano.

Metodologia

O levantamento realizado pela AtlasIntel, identificado pelo número MA-09846/2026, foi registrado na sexta-feira, 8, com início da amostra na mesma data. A coleta seguirá até a próxima quarta-feira, 13, e os resultados poderão ser divulgados na quinta-feira, 14.

A pesquisa, de natureza quantitativa, envolve 1.200 entrevistas realizadas com um custo médio de R$ 62,50 por questionário. O estudo é conduzido por meio de coleta aleatória via questionário estruturado web e pós-estratificação da amostra de acordo com as características do eleitorado maranhense. O custo total da amostra é de R$ 75 mil.

Obrigatoriedade

Para o registro de pesquisa, é obrigatória a utilização do sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle), com os seguintes dados:

Metodologia e período de realização.

Plano amostral (gênero, idade, grau de instrução e nível econômico).

Identificação do contratante (CPF/CNPJ) e valor pago.

Nome do estatístico responsável e seu registro no Conselho Regional de Estatística (CONRE).

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