Uma empresa registrada em nome de um pedreiro e de um ‘embalador’ do Supermercado Mateus recebeu ao menos R$ 1,5 milhão em três anos, como parte de um esquema comandado pelo prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União). Segundo promotores do Ministério Público do Maranhão, a companhia teria sido utilizada para lavar dinheiro do crime.

O valor foi rastreado com base em Relatórios de Informação Financeira computados pela segunda fase da Operação Tântalo, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), no dia 22 do mês passado.

A empresa em questão é a WS Canindé Eireli (CNPJ: 14.456.799/0001-30), registrada em nome de Clésio dos Santos Soares e Werlisson Silva Canindé. Ela chamou a atenção dos investigadores não só pela incompatibilidade entre a movimentação financeira milionária e as profissões dos sócios, mas principalmente pela suas conexões com a WJ Barros, empresa de propriedade do contador Wandson Jonath Barros, apontado como operador financeiro do esquema.

Uma pesquisa no sistema SINC-Contrata do TCE/MA constatou que a WS Canindé teria celebrado os seguintes contratos com a Prefeitura de Turilândia:

54/2022, firmado em 10 de março de 2022, no montante de R$ 498.573,40;

60/2022, assinado em 15 de março de 2022, no valor de R$ 70.673,28;

62/2022, realizado em 15 de março de 2022, no valor de R$74.410,30; e

136/2022, assinado em 22 de junho de 2022, no valor de R$584.364,01.

A apuração também revelou que o COAF detectou uma operação no valor de R$ 1.551.043,22 da gestão turilandense para a WS, que, por sua vez, transferiu R$ 152.011,00 à WJ Barros, empresa do contador do esquema.

Com base na investigação do Gaeco, foi constatado que Clésio dos Santos Soares, um dos sócios da WS, teve seu último cargo registrado como “embalador” em 2018 na empresa Mateus Supermercados S.A., onde recebia um salário de R$ 1.082,00.

Por outro lado, Werllison Canindé, sócio dele na empresa, conforme consulta às bases disponíveis, tem como último registro de trabalho a função de pedreiro na cidade de Bariri/SP, em 2019, com um salário de R$ 1.898,00. Os indícios relacionados ao caso estão presentes em partes da solicitação do MP, que pede a intervenção estadual no município. No entanto, a solicitação foi rejeitada durante o plantão judicial do 2º grau.

“Tais informações sobre os sócios levantam dúvidas quanto à verdadeira propriedade da empresa WS Canindé Eireli e à existência de destinatários diferentes dos fundos por ela recebidos. Isso se deve ao fato de que a empresa, fundada em 13.10.2011 com um capital social de R$ 60.000,00, foi contratada pela Turilândia para fornecer material elétrico, sem que houvesse qualquer prestação de contas ou comprovação da entrega efetiva dos produtos adquiridos, empenhos, pagamentos, ou mesmo cópia dos processos licitatórios”, frisou trechos da petição. Eis a íntegra (PDF – 472 KB)

TutAntAnt 0837551-54.2025.8.10.0000

Leia mais notícias em isaiasrocha.com.br e nos sigam nas redes sociais: FacebookTwitterTelegram Tiktok. Leitores também podem colaborar enviando sugestões, denúncias, criticas ou elogios por telefone/whatsapp (98) 9 9139-4147 ou pelo e-mail isaiasrocha21@gmail.com