As pesquisas de intenção de voto são parte importante do processo eleitoral. Os levantamentos sobre a opinião pública servem para orientar as estratégias de campanhas e candidatos. Além disso, quando divulgados, os resultados podem influenciar a escolha dos eleitores, indicar os temas prioritários a serem debatidos e indicar a viabilidade de determinadas candidaturas.
Os números comprovam o amplo uso e a relevância desse instrumento. Segundo dados obtidos pelo blog do Isaías Rocha junto ao Superior Tribunal Eleitoral (TSE), o Maranhão já contabiliza 40 pesquisas relacionadas às Eleições de 2026, com um total de R$ 1,4 milhão investidos em estudos sobre a intenção de voto para os cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Os contratantes são principalmente veículos de comunicação e empresas de publicidade.
Entre julho e agosto, o sistema do TSE registrou 19 pesquisas. Contudo, nem todas tiveram seus resultados divulgados devido a impugnações, levando a Justiça a proibir sua divulgação. Do total, apenas nove tiveram seus números divulgados, mas cada amostra apresentou um resultado diferente, o que levantou dúvidas até mesmo entre alguns dos contratantes.
As divergências entre pesquisas eleitorais ocorrem principalmente porque cada instituto adota metodologias distintas de amostragem, coleta de dados e formulação de perguntas, o que influencia diretamente os números finais. As pesquisas não são previsões do futuro, mas sim um retrato estatístico de um momento específico.
Quem liderou no perído?
Entre os estudos divulgados no período, Orleans Brandão (MDB) liderou em cinco deles, enquanto o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD) foi o preferido em quatro, conforme nos dados do agregador a seguir:
📊 Pesquisas eleitorais
Para compreender por que os resultados variam mesmo quando coletados no mesmo período, é importante analisar os fatores técnicos regulamentados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE):
Fatores que geram divergências
Método de coleta: Levantamentos presenciais (em pontos de fluxo ou domiciliares) captam perfis diferentes de pesquisas telefônicas ou virtuais. Entrevistas virtuais costumam atrair eleitores mais engajados, enquanto contatos telefônicos podem sub-representar certas faixas econômicas.
Composição da amostra: Embora os institutos sigam cotas proporcionais do eleitorado (baseadas em dados de gênero, idade, escolaridade e renda do IBGE e TSE), a forma como distribuem essas entrevistas geograficamente ou ajustam os pesos estatísticos (ponderação) varia.
Formulação e ordem das perguntas: A maneira como o questionário é estruturado altera o resultado. Apresentar a lista de candidatos (pesquisa estimulada) logo após perguntas sobre avaliação de governo pode induzir respostas diferentes de um cenário onde a intenção de voto é avaliada isoladamente.
Período de campo: Mudanças factuais, debates ou denúncias de grande repercussão alteram o humor do eleitorado de um dia para o outro. Institutos que coletaram dados antes de um evento importante trarão números diferentes daqueles que pesquisaram depois.
Margem de erro e intervalo de confiança: Toda estimativa possui uma margem de flutuação (geralmente entre 2 e 3 pontos percentuais para mais ou para menos). Dois resultados numericamente distintos podem, na verdade, indicar o mesmo cenário dentro da margem estatística.
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