Walter Alves rejeita aquilo que Felipe Camarão mais deseja

Rio Grande do Norte e Maranhão, estados nordestinos com fortes características litorâneas e contrastes culturais, experimentam realidades distintas no cenário das urnas envolvendo a situação dos vice-governadores nas eleições deste ano.

No estado potiguar, o vice-governador Walter Alves (MDB), afirmou na segunda-feira que comunicou à governadora Fátima Bezerra (PT) que não assumirá o Executivo estadual em abril, quando ela deixará o posto para disputar o Senado.

A decisão de Alves — que articula uma candidatura a deputado estadual — atrapalha os planos de sucessão de Bezerra diante da previsão constitucional de que, neste caso de vácuo na posição, a Assembleia Legislativa deve realizar uma eleição indireta para escolher um “governador-tampão”.

Em nota divulgada na terça-feira, Alves afirma que cientificou a governadora que a posição do MDB no estado é “de caminhar com os partidos Federação União Progressista (União Brasil e PP) e PSD”. Ele afirma que a decisão de apoiar uma chapa de oposição foi tomada após consulta aos correligionários. Contudo, no cenário nacional, o posicionamento será de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Realidade oposta no MA

Por outro lado, o Maranhão apresenta uma situação totalmente oposta: Felipe Camarão (PT), substituto direto do governador Carlos Brandão (sem partido), líder em todas as pesquisas ao Senado, não abdica de assumir o cargo em caso de renúncia do titular.

Relatos apontam que Brandão tentou negociar a renúncia de Camarão para que ele pudesse concorrer a uma vaga de deputado federal, ou aceitasse outra posição, assegurando que o comando do Palácio dos Leões não fosse transferida para ele, mas a proposta foi recusada pelo petista.

A postura e o posicionamento do vice são indicadas como fatores centrais que podem influenciar a decisão do governador no cargo, em vez de renunciar para disputar o Senado em 2026.

Caminhos possíveis no RN

A eleição indireta na Assembleia torna o panorama para a disputa pelo governo em outubro aberta. O que pesa contra Bezerra é a capilaridade do PL na Casa, que deve responder por um terço dos votos no período posterior à saída da governadora. O cenário dificultaria a eleição de um nome apoiado por ela no estado, que é o berço eleitoral do líder da oposição, Rogério Marinho (PL).

A base governista na Assembleia, composta de PT e PV, ocupa seis cadeiras, mesma quantidade do PL. Há, no entanto, a expectativa que a bancada bolsonarista cresça com a janela partidária e se torne a maior da Casa. Já a federação União Brasil e PP tem três cadeiras, enquanto o PSDB ocupa seis.

RJ pode ter ‘governo-tampão’

Uma situação semelhante ocorre no Rio de Janeiro. Com a provável renúncia do governador Cláudio Castro (PL) para disputar o Senado, deve haver uma disputa na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) pelo “governo-tampão”.

O pleito indireto ocorreria pelo fato de o Rio estar desde maio sem um vice-governador, após Thiago Pampolha optar por renunciar o cargo para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Já o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar — que seria o segundo na sucessão — foi preso neste mês pela Polícia Federal (PF). Ele é suspeito de vazar dados sobre uma operação dos agentes contra o deputado estadual Tiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias.

Bacellar foi posteriormente solto, mas permanece afastado do cargo enquanto durarem as investigações e teve o uso de tornozeleira eletrônica determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Aliados de Castro entendem que o novo presidente da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), não poderia assumir o governo por ser interino.

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